“Mais amor, por favor”, dizia o muro
“Mais amor, por favor”, repetia duro
Ah, se coubesse tal pedido – um desatino
Pedisse educação e eu me calaria
Ou, quem sabe, a ignorada cidadania
Posto que amor não é ao corpo como pão ou água
Nem se presume como rio que em mar deságua
No mais, como de fato amar alguém
Sem sentir se vale ouro ou vintém?
Amor não é “por favor”, “obrigado” ou “dá licença”
Não é mera cortesia, como a voz do pedido pensa
É silêncio preenchido de impossível expectativa
Vontade sincera de que não corra mais o tempo
Abandono dócil da felicidade antes pretendida
Plenitude e fragmento – tudo num momento