Olhe, menino, para a lua que à noite em tudo põe seu brilho
pálido, e a cortesia das estrelas que lhe são madrinhas
Veja o lago que agora é prata e, agradecido à
lua, dança com a brisa
Ouça as folhas já cansadas do verde e que, a caminho do
amarelo, farfalham num acorde junto à água e então caem saudosas da terra
que lhes é começo e fim
Entenda o plácido do lago e o inquieto da cascata, cujo silêncio perene e fúria contida em nada discordam
Enquanto não dorme, menino, acorde para o cheiro da relva, o
gosto da água, a textura do vento - tudo que lhe foge em distração
Mas não agora, que todo conselho tem seu tempo
Agora você
siga espiando o sono da moça com olhos de âmbar. A moça que, em seu coração, é lua e
estrelas, água e brisa, grama e prado. A moça que traduz, silente, o que
esse quadro de varanda esconde
Para Sheila Ferreira