terça-feira, 14 de abril de 2015

Amor em Teoria III - ou Prenúncio



No teu sono, não compartilho a paz que te embala. Alheia em teu repouso, provas ao mundo que toda busca se justifica, toda contemplação eleva. Teus olhos fechados sem conflito, donos de si, alheios à ternura que fazem brotar, são quase cruéis; como doerão sempre a quantos os flertem sem causar-te impressão!...

Sem que saibas, te admiro indiferente ao tempo que se esforça em me cansar os olhos. Se soubesse, o tempo desistiria de mim, pois não me foge o sono por amor somente; tenho também medo de ti. Medo de saber-me teu até meu silêncio derradeiro; medo de cantar meu amor por tanto que te canse os ouvidos e o coração; medo de que esse amor um dia termine somente em mim, com a memória de ter tido tudo.