No teu sono, não compartilho a
paz que te embala. Alheia em teu repouso, provas ao mundo que toda busca se
justifica, toda contemplação eleva. Teus olhos fechados sem conflito, donos de
si, alheios à ternura que fazem brotar, são quase cruéis; como doerão sempre a
quantos os flertem sem causar-te impressão!...
Sem que saibas, te admiro
indiferente ao tempo que se esforça em me cansar os olhos. Se soubesse, o tempo
desistiria de mim, pois não me foge o sono por amor somente; tenho também medo
de ti. Medo de saber-me teu até meu silêncio derradeiro; medo de cantar meu
amor por tanto que te canse os ouvidos e o coração; medo de que esse amor um
dia termine somente em mim, com a memória de ter tido tudo.
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