quarta-feira, 4 de março de 2015

Da Varanda, À Chuva - ou Camanducaia



Não importa a ninguém, mas sempre cai uma primeira gota, antes de suas irmãs de tempestade a fazerem indivisível. E também o primeiro torrão de terra a recebe-la; torrão que não se apraz ou se amedronta; apenas retorna ao barro de manhã e da noite. Ao seu lado, infinitos irmãos e ele se unem numa massa viva que pode enganar que a assiste quanto a essa união não ser inescapável, mas nascida da torrente.
Essa terra segue moldada por si mesma em montanhas infindáveis, e as nuvens que a cobrem e agora choram são mais que visitantes ou parceiras; são outro aspecto seu. Aqui não há qualquer previsão ou anseio; nenhuma dor ou gozo. Nada quer ser; nada pretende; tudo é – coisa tão certa de si; tão indiferente às possibilidades que talvez a estimulassem ou sufocassem.
A terra e a água são água e terra; as nuvens, seus prólogos e epílogos.
Intranquilo de mim, que sou tudo, menos o homem que sou, preso em pretender por todo o tempo. Ao menos até que, feito o torrão, a chuva também me reivindique e, assim, a terra em que eu me una me redima dos temores que eu nunca precisei ter.

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